segunda-feira, 10 de outubro de 2016

MEMORIAL CLARETIANO






O Colégio São José, de Batatais, faz parte da minha vida e também da vida dos meus irmãos Alfeu, Ampélio, Djalma, Geraldo e Wilson; nele, passei momentos inesquecíveis trabalhando na secretaria e estudando antes de me mudar para Ribeirão Preto. Como minha família era muito pobre e não tínhamos condições de pagar pelo ensino nele ministrado eu e meus irmãos - havendo diferença de dois anos nas idades de uns para outros - pagávamos o estudo trabalhando na própria escola em período no qual não tínhamos aulas. Por isto mesmo, lamentei muito não poder participar, no último dia 6, em função de meus compromissos como deputado na ALESP, da inauguração do “Claretiano Memorial” concentrando, em Batatais, toda a memória acadêmica e religiosa dessa obra  criada pelo padre missionário espanhol Antonio Claret que, em busca de melhor servir a Deus, fundou a Congregação Missionária dos Filhos do Imaculado Coração de Maria, juntamente com outros cinco padres, em  16 de julho de 1849, numa  modesta sala do seminário de Vich – Espanha, quando se festejava o dia de Nossa Senhora do Carmo.  Fui representado, nesse evento, pelo ex-prefeito de Serra Azul, Homero Freitas, que ficou maravilhado com esse “Memorial” cujo projeto arquitetônico tem a autoria de Luiz Eduardo Siena Medeiros segundo o qual o local  foi inspirado nas atuais técnicas expositivas, com espaços amplos e limpos sob o ponto de vista arquitetônico e espaçoso pelo tipo de visitação que poderá ocorrer com as classes de aulas;  o espaço tem controle de luz natural, contando  com um cenário neutro e didático e se utilizando  de muita tecnologia.
Conforme explicitou o professor Rodrigo Touso Dias Lopes, Coordenador do Curso de Especialização em Museografia e Patrimônio Cultural do Claretiano – Centro Universitário e Responsável pelo Projeto Museográfico do Memorial -  é o único espaço em nossa região a abrigar um acervo tão rico em objetos escolares e, por isso, ajuda a contar a história da educação paulista no século XX. No local são expostas, assim, peças originais de uso dos antigos alunos, como uniformes, carteiras, cadernos e livros, desde o início do século passado, além de equipamentos escolares e dos primeiros laboratórios de física e química, como um planetário alemão do século XIX, além das primeiras máquinas de escrever, rádios e projetores de filmes antigos.
Essas peças estavam guardadas nas unidades do Claretiano e vieram para Batatais mostrando que, desde o princípio, o Claretiano já oferecia uma educação diferenciada com equipamentos bastante sofisticados para a época. Há anda, no Memorial, um espaço exclusivo com livros raros autografados pelos autores ao editor José Olympio, homenageado em 1968 com o título de Cidadão Emérito de Batatais e cujo nome foi dado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras que integra o complexo educacional do Claretiano – Centro Universitário.
O “Memorial Claretiano”, em resumo, honra Batatais e faz justiça a um trabalho do qual participou como professor, antes de se tornar uma personalidade internacional, o ex-ministro Roberto Campos.

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